Depois de meses sem publicar nada por aqui, resolvi dar uma mudada no enfoque deste Blog.
Quando comecei a escrever neste blog, eu participava de um site muito bacana de guitarra, o Guitar X. Ele foi fundado por alguns amigos meus da Escola de Música & Tecnologia (EM&T) de São Paulo. O site era bem visitado e tinha muita informação. Eu escrevia aulas sobre guitarra jazz. Fiz também algumas entrevistas, dentre elas com o guitarrista Miche Leme ( que está publicada em algum lugar deste blog). Infelizmente, o site acabou. Ensaiamos várias vezes a volta, mas acho que não vai rolar.
Inspirado no programa da Rádio eldorado Sala dos Professores, apresentado por Daniel Daibem, resolvi voltar a escrever aulas por aqui. A idéia do programa é desmistificar o mito de que o jazz é uma música complicada e para poucos. Daniel explica com uma linguagem bem acessível, como apreciar um bom jazz.
Partindo desta idéia, vou começar a escrever aulas básicas de jazz, para quem está começando a se interessar por esse ritmo musical. Em primeiro lugar, para eu estudar também, porque não há maneira melhor de estudar do que ensinar. Mas, também porque existem Blogs excelentes, bem melhores, mais atualizados e mais profissionais do que o meu, sobre discos, história e atualidades do Jazz. Vide o JAZZSEEN(link aí na coluna ao lado) ou o Clube de Jazz.
Vou insistir em postar novamente aqui sobre o Marcus Strickland, porque o último post que escrevi sobre ele já faz mais de 2 anos e também porque é um músico fantástico. Segue o mesmo texto, mas agora com o link para baixar um gravação ao vivo de 2002. Nesta época, ele tinha apenas 21 anos !
Be-Blog Jazz - Fev./2005: Já publiquei esta dica, mas como foi uma de minhas primeiras publicações, acredito que muitos não tenham paciência de chegar até lá. Portanto, vou falar novamente sobre este saxofonista americano de 24 anos. Marcus Strickland toca sax tenor e soprano e impressiona por sua desenvoltura e também pelo fato de ser ainda muito novo. Lançou um disco chamado Brotherhood, com composições próprias. Neste CD ele está acompanhado de seu irmão gêmeo, o baterista E.J. Strickland (também sensacional), pelo pianista Robert Glasper's e pelo baixista Brandon Owens. Certamente vocês nunca ouviram falar desses músicos (ainda), pois são todos músicos novos que Marcus conheceu quando estudou na New School Jazz & Contemporary Music. Apesar da pouca idade, Strickland já tocou com grandes feras do jazz, o que contribuiu para sua formação. Para citar alguns, tocou com algumas Big Bands, como : The Carnegie Hall Big Band , The Mingus Band , Tom Harrell Big Band , Milt Jackson Big Band , The Lincoln Center Jazz Orchestra & Reggie Workman's African American Legacy Band , The Village Vanguard Band. Além de seu quarteto, toca no quarteto do grande baterista Roy Haynes, com o baixista Lonnie Plaxico e com Jeff 'Tain' Watts. Marcus Strickland também desenvolve atividades didáticas em um programa de educação musical, com enfoque no jazz denominado Jazz Reach. O projeto ensina a história, o presente e o futuro do jazz.
Para informações mais atualizadas, acessem seu site: http://www.marcusstrickland.com
Esta é para os guitarristas de plantão e também para quem tem curiosidade de conhecer um pouco mais do estilo Wes Montgomery de improvisar. A música é "Missile Blues", gravação do disco Wes Montgomery Trio, da Riverside Records.
Wes Montgomery tinha uma estratégia muito freqüente em seus improvisos, que era tocar alguns chorus em "single notes", ou seja, um solo normal com melodia feita de notas simples; alguns chorus com solos oitavados (notas da melodia + mesma nota uma oitava acima), estilo pelo qual ficou mais conhecido ; e alguns chorus com blocos de acordes.
Abaixo, trancrevi os 3 primeiros chorus do solo de Missile Blues. São os chorus tocados em "single notes". Se vocês ouvirem a gravação, verão que o improviso segue exatamente a receita Wes de improviso. Reparem que Missile Blues é um blues em Sol que tem uma substituição peculiar de alguns acordes do blues tradicional. Segue a forma de 12 compassos, mas tem uma progressão harmônica, a partir do VI compasso, conhecida como "Wes Coast Changes" (por causa do blues "Wes Coast Blues"). Consiste em uma progressão cromática, descendente, de II-Vs : Cm7 | F7 | Bm7 | E7 | Bbm7 | Eb7 | Am7 etc...
Para quem não é guitarrista, basta ignorar a tablatura e tocar o solo, o que eu acho muito válido. Música boa deve ser tocada em qualquer instrumento. Não importa se você toca piano, flauta, sax ou guitarra. Tire o solo e conheça mais sobre o estilo de improvisar deste grande músico que foi Wes Montgomery.
Pequena amostra do DVD do Joe Lovano citado abaixo. Pra quem pegou o bonde andando, coloquei um link para baixar o áudio do DVD. São quase 2 horas de som ! Confiram.
Devo antes de escrever qualquer coisa, dar o crédito desta pérola ao nosso grande Ed Motta.
Há alguns anos, eu ouvia direto o seu programa da radio uol, o Empoeirado. Ed selecionava umas 5 músicas de sua coleção de vinil e nos mostrava semanalmente raridades de extremo bom gosto. Em um desses programas, apresentou “Charlie’s Blues”, com Chivo Borraro. Fiquei chapado ! Até que consegui o CD.
Luis Horacio Borraro, “El Chivo”, nasceu em 1925, em Buenos Aires. Iniciou a carrera tocando clarinete, nos anos 50, trocando para o sax tenor em 1961.
“El Nuevo Sonido Del”, é o registro de uma noite de gravação em Buenos Aires. Foi gravado no dia 2 de junho de 1966, em apenas uma sessão. O quarteto foi composto por : Chivo Borraro, no sax tenor; Fernando Gelbard no piano; Alfredo Remus no contrabaixo; e Eduardo Cassala na bateria.
Um disco fabuloso, com uma sonoridade crua que eu particularmente aprecio muito. A cruesa do som do bumbo é tamanha que chega a ficar agressivo.
A banda abre com um blues “Charlie’s Blues” e , na seqüência, a Linda balada “La Paz”. Não vou ficar descrevendo aqui cada música do CD. Façam o download, ouçam e tirem suas próprias conclusões.
Chivo Borraro – El Sonido Del
1. Charlie’s Blues 2. La paz 3. Half and Half 4. Summertime 5. Polka Dots and Moonbeams
Chivo Borraro – Sax Tenor Fernando Gelbard - Piano Alfredo Remus – Contrabaixo Eduardo Cassala - Bateria.